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04: DOCUMENTÁRIO E TECNOLOGIA AGOSTO:2008

Editorial / Artigos / Análise e Crítica de Filmes / Leituras / Dissertações e Teses / Entrevista /
Versão Integral


EDITORIAL

Ao longo da sua História, podemos verificar que o documentário se encontra intimamente ligado às possibilidades que diferentes tecnologias foram permitindo. Os momentos em que mais se destacou coincidiram com importantes invenções tecnológicas. Cerca de 30 em 30 anos podemos observar que novos procedimentos de carácter documental acompanharam essas mesmas invenções. O cinematógrafo dos irmãos Lumière lançaram alguns desses procedimentos tipicamente documentais e que ainda hoje são reconhecidos como tais, são disso exemplo o registo in loco, os cenários naturais, os intervenientes que se representam a si próprios ou acções captadas no seu decorrer. Nos anos 30, o som chega ao espectador e o documentário adoptou a voice-over como marca distintiva e como veículo privilegiado para transmitir mensagens. Os anos 60 impulsionam o documentário para o uso da câmara ao ombro, o que permitiu uma grande mobilidade para acompanhar os intervenientes dos filmes e ir registando a espontaneidade dos seus gestos e discursos. Estas novidades foram possíveis pelo uso de equipamento de som síncrono e portátil. A partir dos anos 90, o documentário graças às chamadas "novas tecnologias'' apresenta-se renovado. A quantidade de registos documentais aumentou exponencialmente e conceitos como os de "documentário animado'' têm vindo a solidificar-se. É precisamente sobre este novo conceito que trata o artigo de Índia Mara Martins explorando a questão das inovações tecnológicas coincidirem com renovações estilísticas. A respeito do cinema directo, Xavier de France, em um artigo escrito nos anos 70 mas publicado aqui pela primeira vez, traz-nos uma reflexão aprofundada e actual sobre esse movimento, marco incontornável na tradição documental, com enfoque nos cineastas Dziga Vertov, Robert Flaherty e Jean Vigo. A democratização ou facilidade de registo de imagens de carácter documental é aqui abordada por Diego Zavala Scherer, a partir dos participantes directos na segunda guerra do Iraque, os soldados. Cristina Mascarenhas Santos contribui para os fundamentos de uma teoria do documentário a partir da expressão por si proposta de "interveniente autónomo'', expressão essa sintomática do uso do vídeo digital. Os dois artigos que fecham a presente edição da DOC On-line concentram-se no trabalho do cineasta brasileiro Leon Hirszman e do israelita Yael Bartana. O primeiro, da autoria de Luiz Vadico, incide sobre o uso do fundo preto; e o segundo, escrito por Beatriz Furtado, chama à discussão a expressão "risco do real''.
A respeito das restantes secções da DOC On-line em Análise e Crítica de Filmes editamos três textos de Jeanete de Novais Rocha, João Rapazote e Paulo Serra; Sara Brandon escreve para a secção Leituras. Nas Dissertações e Teses apresentamos informação sobre trabalhos científicos recentes. Finalmente, destacamos duas entrevistas, uma a Michael Renov, autor bem conhecido de livros sobre documentário, como Theorizing Documentary, por André Bonotto e Gabriel de Barcelos Sotomaior e uma outra, por Carlos P. Reyna, ao realizador peruano Fernando Valdívia.

Marcius Freire, Manuela Penafria



LABCOM: Laboratório de Comunicação On-line (UBI) / Universidade da Beira Interior / Universidade Estadual de Campinas _ 2006/2007
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