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EDITORIAL
Ao longo da sua História, podemos
verificar que o documentário se encontra intimamente
ligado às possibilidades que diferentes tecnologias
foram permitindo. Os momentos em que mais se destacou coincidiram
com importantes invenções tecnológicas.
Cerca de 30 em 30 anos podemos observar que novos procedimentos
de carácter documental acompanharam essas mesmas invenções.
O cinematógrafo dos irmãos Lumière lançaram
alguns desses procedimentos tipicamente documentais e que
ainda hoje são reconhecidos como tais, são disso
exemplo o registo in loco, os cenários naturais,
os intervenientes que se representam a si próprios
ou acções captadas no seu decorrer. Nos anos
30, o som chega ao espectador e o documentário adoptou
a voice-over como marca distintiva e como veículo
privilegiado para transmitir mensagens. Os anos 60 impulsionam
o documentário para o uso da câmara ao ombro,
o que permitiu uma grande mobilidade para acompanhar os intervenientes
dos filmes e ir registando a espontaneidade dos seus gestos
e discursos. Estas novidades foram possíveis pelo uso
de equipamento de som síncrono e portátil. A
partir dos anos 90, o documentário graças às
chamadas "novas tecnologias'' apresenta-se renovado.
A quantidade de registos documentais aumentou exponencialmente
e conceitos como os de "documentário animado''
têm vindo a solidificar-se. É precisamente sobre
este novo conceito que trata o artigo de Índia Mara
Martins explorando a questão das inovações
tecnológicas coincidirem com renovações
estilísticas. A respeito do cinema directo, Xavier
de France, em um artigo escrito nos anos 70 mas publicado
aqui pela primeira vez, traz-nos uma reflexão aprofundada
e actual sobre esse movimento, marco incontornável
na tradição documental, com enfoque nos cineastas
Dziga Vertov, Robert Flaherty e Jean Vigo. A democratização
ou facilidade de registo de imagens de carácter documental
é aqui abordada por Diego Zavala Scherer, a partir
dos participantes directos na segunda guerra do Iraque, os
soldados. Cristina Mascarenhas Santos contribui para os fundamentos
de uma teoria do documentário a partir da expressão
por si proposta de "interveniente autónomo'',
expressão essa sintomática do uso do vídeo
digital. Os dois artigos que fecham a presente edição
da DOC On-line concentram-se no trabalho do cineasta
brasileiro Leon Hirszman e do israelita Yael Bartana. O primeiro,
da autoria de Luiz Vadico, incide sobre o uso do fundo preto;
e o segundo, escrito por Beatriz Furtado, chama à discussão
a expressão "risco do real''.
A respeito das restantes secções da DOC On-line
em Análise e Crítica de Filmes editamos
três textos de Jeanete de Novais Rocha, João
Rapazote e Paulo Serra; Sara Brandon escreve para a secção
Leituras. Nas Dissertações e Teses
apresentamos informação sobre trabalhos científicos
recentes. Finalmente, destacamos duas entrevistas, uma a Michael
Renov, autor bem conhecido de livros sobre documentário,
como Theorizing Documentary, por André Bonotto
e Gabriel de Barcelos Sotomaior e uma outra, por Carlos P.
Reyna, ao realizador peruano Fernando Valdívia.
Marcius Freire, Manuela Penafria
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